- Livro de José Saramago e filme de Fernando Meirelles
Estava esperando para ver o filme. Na verdade, queria ter lido o livro antes. Fiquei meio travada para ler Saramago desde que comecei Memorial do Convento. Comecei umas quatro vezes, sempre tendo que voltar para saber o que tinha lido antes. Ah, mas deixa isso pra depois. O fato é que não li o livro e fui ver o filme. Estou há alguns dias querendo escrever sobre ele e nunca o fazia.
Já que faltava o que escrever, lembrei do filme. Não sei como é o livro, mas pelo que conheço dos livros de Saramago, as entrelinhas do filme deixa muito a desejar. É lógico que você percebe de cara a teoria da história, mas nada muito explícito ou profundo.
O filme é muito bem feito, para mim, seria excelente se não sentisse essa falta de aprofundamento. Algumas cenas são extremamente chocantes, e acho que o filme contém a maior cena preta do cinema mundial. Nunca tinha visto nada igual, e que demorasse tanto tempo. Ao mesmo tempo que seu objetivo e cena de fundo fossem tão chocantes e dramáticos.
No fim achei tanto desnecessários quanto paradoxal. Paradoxal por contrapor pela visão branca. A superficialidade me levou a pensar milhares de siginifacados para cada elemento. Acredito que seja por meu excessivo criticismo que penso assim. Talvez essa tenha sido a idéia central, a falta de alguma coisa me faz pensar várias vezes na própria falta.
Uma das coisas a pensar é que a história desacredita o velho ditado popular. “Em terra de cegos, quem tem um olho é rei”. O personagem da Julianne Moore está mais para escrava que para qualquer outra coisa…
Pior é ver na telona e depois pensar em como nos degradaríamos tendo uma vida diferente. Perder uma coisa repentinamente e sem explicação aguça os sentidos de sobrevivência, transparecendo muitas vezes o que de pior há no ser humano. É triste, mas várias vezes já comprovamos o fato, mesmo sem estarmos na brancura.
O assunto é longo. O melhor é para por aqui e continuar quando eu terminar de ler o livro.
Não deixa de ser um bom programa ir ao cinema para assisti-lo. Ainda mais com a presença de Gael Garcia.


