Passado X Futuro

Hoje eu li a revista Época da semana passada, com a matéria de capa do rabino Sobel. Fiquei pasma mais uma vez pelo nosso comportamento. A reportagem não trata do que me pasmou, mas ainda sim, me surpreende.

Erros, todos nós cometemos. Julgar, todos nós julgamos, é hipocrisia pensar o contrário.

O que me pasma, surpreende e me enraivece é o comportamento que temos com aqueles que erram. Sim, eu sou da opinião que pessoas públicas têm que dar o exemplo. Sim, eu sei quão difícil é ser sempre exemplo, mas se está em tal posição, pelo menos aja de acordo.

Agora, outra coisa é condenar aqueles que cometem um erro e esquecer o que já fizeram na vida.

Na situação do rabino Henry Sobel, esse é exatamente o comportamento que presenciei quando surgiu a notícia que ele roubou  gravatas nos Estados Unidos.

Tudo bem, ele roubou, ele mesmo não nega isso, e eu muito menos. O fato é que não nos cabe julgar e esquecer quem ele é.

A questão não é nem sobre ele. Para mim, ele é um rabino que de vez em quando falam na televisão. Estou falando em geral, sempre agimos condenando as pessoas que cometem erros.

Transformamos pequenos erros em gigantescos problemas cercados de graves declarações. Basta um passo em falso de qualquer um, nem precisa ser conhecido publicamente, passamos a ser contra ele e julgá-lo, até mesmo desacreditá-lo perante outrem.

A minha questão é: será que sempre que uma pessoa erra, ela merece o tratamento que a damos? Será realmente que um erro no presente anula seu passado e desacredita seu futuro?

Me preocupo com isso, porque não somos perfeitos, longe disso. Entretanto, estamos sempre atrás da perfeição, ainda mais se for nos outros.

Mesmo que uma pessoa erre (não estou falando de grandes erros como crimes hediondos e coisas assim), não devemos a ela a chance de redenção?

Ao menos dar a oportunidade da pessoa se explicar, é o mínimo que devemos a nós mesmos, que sempre erramos…

Danseuse

Estava pensando hoje e me lembrei que não contei o porquê do danseuse.

La petite-fille danseuse é algo como A Menina Bailarina, em francês.

Bailarina porque sempre sonhei em fazer balé. Mas na minha cidade não tinha isso quando era criança. Aí, cresci. Ainda acho lindo o balé. Só não dá pra fazer, né. Horas e horas de dança, treinamento, sofrimento e dor, tudo em busca da perfeição. O máximo que conseguiria seria olhares de desconfiança e descrença.

O menina é porque, talvez, ainda, não tenha deixado de ser criança. Ainda não quero encarar a vida de frente, com todo sofrimento e sua dureza. Não quero me preocupar com tantas coisas. Quero viver a vida como se tudo não passasse de uma brincadeira de criança. 

No fim, acho que se combinam. Ser menina. Ser bailarina.  Menina e bailarina.